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Defesa dos cultos afro toma o centro da Capital
(sexta-feira, 25 de julho de 2003 - Zero Hora)
Africanistas temem que o sacrifício de animais seja proibido
Uma manifestação em favor dos cultos africanos foi realizada no centro de Porto Alegre. Depois de audiência na Assembléia e de encontro com o governador Germano Rigotto, africanistas saíram em passeata na tarde de ontem.
Adefesa das práticas religiosas teve origem após a aprovação pela Assembléia do Código de Defesa dos Animais, em maio. Adeptos de cultos de origem africana temem que a lei seja usada para proibir o sacrifício de animais em práticas religiosas.
A audiência pública de ontem foi mais uma das etapas para se chegar a um acordo. Deputados, vereadores e representantes do Ministério Público, da procuradoria da Assembléia e de casas de religião africanas debateram a relação dos cultos com o código. O texto da lei não proíbe os sacrifícios, mas estabelece regras para o abate como a anestesia do animal.
Uma das queixas é de que algumas casas estão sendo fechadas com base na lei ainda não-regulamentada. O deputado Edson Portilho (PT), integrante de um grupo de trabalho da Assembléia para tratar do assunto, defende o cumprimento da Constituição, que assegura a liberdade dos cultos religiosos.
Após a audiência, o governador Germano Rigotto e o chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, receberam os líderes da manifestação no Palácio Piratini. Rigotto considera que a solução pode estar na regulamentação. Depois da reunião com os líderes, o governador foi ao encontro dos manifestantes em frente ao Palácio.
Os encontros oficiais, então, deram lugar às manifestações pelas ruas do Centro. Em sua grande maioria usando roupas brancas, centenas de manifestantes desceram a Rua General Câmara, entraram na Rua dos Andradas, passaram pela Avenida Borges de Medeiros e chegaram ao Mercado Público, local considerado de grande importância pelas religiões afro. Ao som de cânticos, atabaques, agês, tambores e sinetas, os africanistas foram recebidos com surpresa pelas pessoas que saíam do trabalho no final de tarde.
Novas manifestações serão realizadas.
Um dos líderes da manifestação, o babalorixá Pedro de Ogum Docô ficou emocionado com a recepção das pessoas e ressaltou o valor do movimento:
- De forma indireta, essa lei já trouxe um benefício: a união de uma classe historicamente desunida. Temos direito de manifestar nossa cultura, nossa religião.
Mais manifestações estão previstas para os próximos meses. No dia 23 de agosto, haverá nova audiência na Assembléia. Uma conferência estadual no dia 20 de setembro, no Gigantinho, pretende reunir milhares de pessoas em defesa das religiões afro.
Fotos: Marcelo Curia e Paulo Franken/ZH
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