Ogum

É o orixá da guerra, das artes manuais e do ferro.
Dia da semana: quinta-feira
Cor: vermelho e verde (07 contas de cada cor)
Parte do corpo que Ogum rege: costela e dentes
Ferramentas: espada, bigorna, martelo, troques, serrote, pregos, marreta, alicate, corrente, facão.
Lugar de oferendas: mata, encruzilhadas, cemitérios e praias.
Aves: galo "carijó" ou casal de galinhas d'angola
Pombo: escuro com branco
Quatro - pé: cabrito malhado (branco e preto)
Peixe: pintado
Frutas: laranja, marmelo e cana.
Sobrenomes de Orixá: Nira, Inira, Adiola, Taladê, Adio, Adoré, Alefa, Gué, Dei, Onira, Mejê, Avagã, Elefá, Djocô, Miratã, Ciribó, Orobá, Dalúa, Ire, Ló, Manicéo
Flor: palma vermelha e cravo vermelho
Características: guerreiro
Dia do ano: 23 de abril
Doce: doce de frutas e marmelo
Ervas: espada de São Jorge, lança de Ogum, inhami, arruda, eucalipto.
Saudação: ogum-nhê
Apelido: ferreiro
Animal de estimação: cavalo e cobra
Função: demanda
Santo que representa: São Jorge, Ogum Avagan: Santo Expedito
É o orixá da guerra, das artes manuais e do ferro, é o patrono do desenvolvimento e da tecnologia. Protetor daqueles que trabalham com ferro, com máquinas e coisas afins, sendo o Orixá invocado para defender e resolver problemas de trabalho. Pelo seu caráter guerreiro, considerado Patrono dos militares, é muito solicitado quando se deseja vencer demandas. Assim como o Bará Lodê o Ogum Avagã é o Ogum da Rua, cuida do templo e de problemas com polícia e arruaças. Tem fama de gostar de bebidas alcoólicas, graças à estória de ter sido embebedado por Iansã para que ela pudesse fugir com Xangô. É desbravador, com sua lança abriu novos caminhos e conquistou novos mundos.
Características Positivas: valentes, destemidos, buscam novos objetivos. São pessoas perspicazes, objetivas e corajosas. Amantes fiéis e constantes, dedicados à família. Geralmente bonitos, talentosos e inteligentes.
Características Negativas: Gananciosos, atrevidos. Usam a falsidade como tática de guerra, temperamentais e impiedosos.
Lendas
Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausentes de Irê, voltar para visitar seu filho. Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam no dia de sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente por muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas até que seu filho apareceu oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores. Satisfeito e acalmado Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontra inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ogum se lançará.
Uma história de Ifá, publicada em outra obra de Verger, explica como o número 07 foi relacionado a Ogum e o número 09 a Oiá-Iansã. Conta a lenda:
"Oiá era a companheira de Ogum antes de se tornar mulher de Xangô. Ela ajudava o deus dos ferreiros no seu trabalho; carregava docilmente seus instrumentos, da casa à oficina, e aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ogum ofereceu a Oiá uma vara de ferro semelhante a uma de sua propriedade e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga".
Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ogum bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oiá; esta por seu lado, também a olhava furtivamente. Xangô era muito elegante, muito elegante mesmo, afirmava o contador da história.Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher e usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionaram Oiá. Aconteceu, então, o que era de se esperar: um belo dia, ela fugiu com ele. Ogum lançou-se à perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oiá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim, Ogum foi dividido em sete partes e Oiá, em nove, recebendo o nome de Ògúm Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Ìyámésan - 'a mãe (transformada em) nove'."

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