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Intolerância Religiosa
(notícia de 7/11/2006)

“A intolerância não é o oposto da tolerância; é sua contrafação. São ambos despotismos. Uma se arroga o direito de impedir a liberdade de consciência, a outra se arroga o direito de concedê-la.” Thomas Paine (1737-1809).

A liberdade religiosa foi reforçada pela adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. Este documento foi criado nos anos que seguiram o Holocausto. Segundo Felice Gaer, diretora do Instituto Jacob Blaustein para o Progresso dos Direitos Humanos, do Comitê Judaico Amwericano, a Declaração Universal não trata apenas do direot que cada um tem em relação a liberdade de pensamento, de consciência e de religião, mas afirma que a discriminação baseada na religião é criminosa.

Ao contrário do que todos pensam, as divergências religiosas estão se alastrando e deixando de ser apenas uma particularidade da guerra santa islâmica contra os judeus.

A questão da liberdade religiosa também serviu de tema para intensificar a concorrência na televisão, quando em agosto de 1995 a Globo anunciava o seriado de Dias Gomes - Decadência -, em que um dos personagens menos simpáticos era um pastor sem escrúpulos. Iniciava-se a guerra santa entre TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo e a Rede Globo. A imprensa, intintivamente virou as costas para a Rede Globo e ofereceu cobertura ao grupo evangélico.

“Ele diz que tem, que tem como abrir o portão do céu
Ele promete a salvação
Ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel
Mas não rasga dinheiro não”

A música Guerra Santa de Gilberto Gil, citada acima se refere ao bispo Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, que na véspera do dia 12 de outubro de 1995, agrediu a imagem da santa com socos e chutes, diante das câmeras de TV.
Ameaçado pelos dois mil anos de existência da santa,que reúne milhares de fiéis e afasta os que poderiam ser adeptos da sua “igreja de mercado”, Von Helder, num ato falho, denunciou a si próprio, mostrando a verdade da sua seita de charlatães, insultando-a sem esconder sua indignação, fazendo alusão a cor preta da santa: “Não funciona! Ela é feia, preta, ela não tem valor no mercado. Ela só serve para atrapalhar os negócios com antigas supertições”.

A Bahia, terra do sincretismo religios, é constantemente alvo da violência gerada em nome da fé.

Alguns casos de intolerância tornam-se públicos e chegam a ser denunciados, no entanto certos grupos religiosos continuam investindo no preconceito religioso.

Passam desapercebidas histórias como a de Michelli Alves de Oliveira, 26, protética, indicada para trabalhar em um laboratório em Copacabana, que apesar da habilidade técnica aprovada pela direção do estabelecimento, ficou sabendo que havia perdido a vaga no dia em que daria início ao trabalho. Só então Michelli percebeu a intenção das perguntas finais, quando foi questionada a respeito de sua religiosidade e afirmou ser kardecista, o entrevistador respondeu: “eu sou um profeta ungido pelo espírito santo”. “Ele não se declarou com todas as letras, mas era evangélico, e naquele local só trabalhavam profissionais ligados a mesma religião”, constatou Michelli.

Embora nem tão transparente exatamente como o racismo no Brasil, a intolerância religiosa não está batendo na porta ao lado e sim na nossa porta.

Artigo enviado em 07/11/2006 às 09:45 por Julio do Ajelu.
Categorias: Intolerancia Religiosa.



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